TENENTE-CORONEL É PRESO ACUSADO DE FAVORECER MILÍCIA NA BAHIA

O tenente-coronel da Polícia Militar da Bahia, Luiz Augusto Normanha de Carvalho, foi preso suspeito de receber dinheiro de um sargento da reserva apontado como chefe de uma milícia armada que atuava na região de Correntina, no oeste baiano. O oficial é acusado de corrupção passiva militar, conforme denúncia apresentada pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) e recebida pela Justiça, que determinou a prisão preventiva.

Esta não foi a primeira vez que o policial foi preso. Em setembro do ano passado, ele foi detido por posse ilegal de arma de fogo, mas acabou liberado no dia seguinte.

Luiz Augusto comandou a 30ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM), em Santa Maria da Vitória, até 2023. Depois, assumiu a direção do Colégio da Polícia Militar de Bom Jesus da Lapa, município também localizado no oeste da Bahia. Dados do Portal da Transparência do Governo do Estado apontam que ele recebia salário líquido de R$ 20.862,18. O oficial foi exonerado da função em setembro do ano passado.

DENÚNCIA APONTA REPASSES MENSAIS E PAGAMENTO DE DESPESAS

De acordo com a investigação do MP-BA, o tenente-coronel teria recebido pagamentos frequentes do sargento da reserva, geralmente no valor de R$ 15 mil por mês. A denúncia também aponta que despesas pessoais do oficial teriam sido custeadas pelo militar aposentado, incluindo boletos da faculdade da filha dele.

Para o Ministério Público, os pagamentos teriam como finalidade fazer com que o tenente-coronel deixasse de combater a atuação da milícia armada na região.

GRUPO É INVESTIGADO POR ATUAÇÃO EM DISPUTAS POR TERRAS

Segundo a denúncia, o sargento da reserva foi condenado por chefiar um grupo que atuou por mais de dez anos na região de Correntina. A organização prestava serviços de segurança privada a fazendeiros envolvidos em conflitos fundiários.

Ainda conforme o MP-BA, a estrutura armada era utilizada para intimidar e expulsar comunidades tradicionais de suas terras.

A acusação também atribui ao tenente-coronel uma participação que iria além do suposto recebimento de dinheiro. Ele teria colaborado com o funcionamento do grupo, inclusive na organização de escalas de vigilantes armados.

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