SEM PROVAS SUFICIENTES, JUSTIÇA ABSOLVE ÚNICO RÉU ACUSADO PELA MORT& DE JOÃO REBELLO

QUASE DOIS ANOS APÓS MORTE DE JOÃO REBELLO, ÚNICO RÉU LEVADO A JÚRI É ABSOLVIDO POR FALTA DE PROVAS

Quase dois anos depois do assassinato do ex-ator mirim João Rebello, em Trancoso, distrito de Porto Seguro, no extremo sul da Bahia, o caso continua sem condenações. O julgamento realizado nesta terça-feira (13) terminou com a absolvição de Felipe Souza Bruno, que passou mais de um ano preso e chegou ao tribunal sem que houvesse provas suficientes para sustentar sua participação no homicídio.

O desfecho chama a atenção para as fragilidades da investigação. Dos três homens apontados pela Polícia Civil como suspeitos de envolvimento no crime, Felipe foi o único levado a júri popular. Durante o julgamento, tanto o Ministério Público da Bahia (MP-BA) quanto a defesa consideraram que não havia elementos suficientes para atribuir a ele a autoria do assassinato. A condenação era defendida apenas pelo assistente de acusação.

A absolvição foi determinada pela Justiça, mas a saída de Felipe do sistema prisional não ocorreu imediatamente. Após a decisão, ele retornou ao Conjunto Penal de Eunápolis para cumprir os procedimentos necessários à liberação, prevista para esta quarta-feira (14). A decisão ainda pode ser contestada por meio de recurso.

O caso também teve outros dois nomes apontados pela polícia. Anderson Nascimento Sena, conhecido como Dadá, morreu durante uma ação policial em dezembro de 2024. Já Wallace Santos Oliveira, o WL, chegou a se entregar às autoridades em novembro daquele ano, mas não foi levado a julgamento pelo Tribunal do Júri, diante da falta de indícios suficientes para sua pronúncia.

João Rebello foi morto a tiros na noite de 24 de outubro de 2024, enquanto estava dentro de seu carro, em Trancoso. Imagens de uma câmera de segurança instalada nas proximidades de um posto de combustíveis registraram o ataque. O vídeo mostra a aproximação dos atiradores e a rápida fuga após os disparos, mas não permite identificar os responsáveis.

As investigações apontaram que o ex-ator não tinha envolvimento com atividades criminosas e que teria sido confundido com outra pessoa. Segundo a linha investigativa, o verdadeiro alvo possuía um veículo semelhante, apresentava características físicas parecidas e já havia recebido ameaças de traficantes da região. Essa pessoa chegou a ser ouvida como testemunha de acusação no processo.

Outro elemento da apuração foi a identificação da arma utilizada no homicídio, confirmada oficialmente cerca de oito meses depois do crime, após exame pericial. Segundo o delegado Bruno Barreto, responsável pela investigação, a pistola Glock calibre .380 foi encontrada com Anderson. A perícia realizou uma microcomparação balística que relacionou os projéteis retirados do corpo de João e os recolhidos no local à mesma arma.

Apesar dos avanços na identificação da arma e dos suspeitos apontados, o processo não resultou em nenhuma condenação até agora. A absolvição de Felipe, sobretudo diante da posição adotada pelo próprio Ministério Público quanto à insuficiência de provas, deixa uma questão central: como uma investigação que apontou suspeitos e levou um homem à prisão não conseguiu reunir elementos capazes de sustentar sua condenação em julgamento?

A decisão judicial não encerra a busca por respostas sobre a morte de João Rebello. Também evidencia a gravidade de uma prisão que se prolonga por meses sem que, ao final, seja possível demonstrar a responsabilidade criminal do acusado. A responsabilização pelo homicídio segue pendente.

Antes de se tornar conhecido pelo público em outras atividades, João construiu uma carreira como ator ainda na infância. Ele participou de cinco novelas da TV Globo: Cambalacho (1986), Bebê a Bordo (1989), Deus nos Acuda (1992), Vamp(1991) e Zazá (1997). Em Vamp, interpretou Sig, um dos filhos da personagem Carmen Maura, vivida por Joana Fomm.

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