A morte de um ciclista registrada no último dia 23 de abril, na BA-001, em Porto Seguro, reacendeu o alerta sobre a violência no trânsito e a falta de infraestrutura segura para quem utiliza a bicicleta na região. O caso, que vitimou Ricardo Pagliarini, conhecido como “Cansado”, tornou-se símbolo de uma mobilização coletiva que reúne familiares, ciclistas, pedestres, entidades civis e representantes do Parque Nacional do Pau Brasil em um manifesto por mudanças urgentes.
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Durante as celebrações pelos 27 anos do Parque Nacional do Pau Brasil, o grupo lançou um pacto pela vida e iniciou uma coleta de assinaturas para pressionar o poder público a adotar medidas concretas de proteção aos ciclistas. O documento denuncia a repetição de acidentes fatais, a ausência histórica de políticas públicas efetivas e o descumprimento de compromissos antigos, como a promessa de construção de uma ciclovia entre Vale Verde e Arraial d’Ajuda, prevista desde 1998 em protocolo firmado entre órgãos públicos.
O manifesto destaca que Porto Seguro e a Bahia seguem registrando acidentes recorrentes envolvendo ciclistas, refletindo um cenário nacional preocupante, onde milhares de vidas são perdidas por falta de planejamento, fiscalização e respeito às normas de trânsito. Entre as principais reivindicações estão a criação imediata de uma comissão especial de mobilidade, investimentos obrigatórios em infraestrutura cicloviária, redução de velocidade em áreas urbanas, ampliação de ciclovias conectadas, melhoria da sinalização, fiscalização rigorosa e campanhas permanentes de educação no trânsito.
Além disso, o movimento defende a implementação de projetos como o Caminhos do Brasil Original, que pode transformar a mobilidade regional, promover turismo sustentável, gerar renda e reduzir riscos nas rodovias.
Os organizadores afirmam que a bicicleta não é apenas uma opção de lazer, mas um meio de transporte, trabalho e sobrevivência, e reforçam que nenhuma morte no trânsito pode ser tratada como normal. A mobilização cobra que Porto Seguro priorize pessoas, e não apenas veículos, construindo uma cidade mais humana, segura e inclusiva.


