Duzentas e quarenta e sete mulheres tiveram suas vidas interrompidas pelo feminicídio na Bahia em apenas um ano, entre março de 2025 e março de 2026. No mesmo período, o Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA) denunciou mais de 10 mil casos de violência doméstica — quase duas mil ocorrências a mais do que no ano anterior.
Os números escancaram uma realidade grave e crescente. Por trás das estatísticas, estão histórias de violência dentro de casa — agressões físicas, psicológicas, morais e patrimoniais em ambientes que deveriam ser de proteção, mas que, para muitas vítimas, se tornaram espaços de medo.
Além das denúncias, o MPBA se manifestou em 27.916 pedidos de medidas protetivas. O Núcleo de Enfrentamento às Violências de Gênero (Nevid) realizou mais de mil atendimentos a mulheres em 2025, oferecendo apoio jurídico, psicossocial e encaminhamento à rede de proteção.
Para o Ministério Público, o cenário exige mais do que repressão. A instituição tem ampliado ações de prevenção, com campanhas educativas, palestras e projetos como o “Luto por Elas”, voltado à conscientização e ao enfrentamento da violência de gênero, inclusive com a participação de homens como agentes de mudança.
Durante o mês de março, marcado pelo Dia Internacional da Mulher, as ações foram intensificadas em diversas cidades, com debates em escolas, eventos públicos e mobilização da sociedade. A estratégia inclui atingir jovens entre 14 e 18 anos, considerados fundamentais para a mudança de comportamento e quebra de padrões culturais ligados ao machismo.
Especialistas e promotores destacam que cada número representa uma vida perdida, famílias destruídas e crianças deixadas na orfandade. O avanço dos casos reforça a urgência de políticas mais eficazes, fiscalização rigorosa e engajamento coletivo para conter a violência.
A escalada dos crimes levanta um alerta: sem mudança estrutural e ação contínua, a violência contra a mulher segue avançando — silenciosa, dentro de casa, e cada vez mais letal.


