A ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, localizado no extremo sul da Bahia, Joneuma Silva Neres, é alvo de denúncias do Ministério Público da Bahia (MP-BA) por corrupção, ligação com facções criminosas e envolvimento amoroso com um dos detentos da unidade.
A fuga ocorreu em dezembro do ano passado e, até esta quinta, nenhum dos foragidos foi recapturado. Apenas um deles foi localizado em janeiro deste ano, mas morreu em confronto com policiais civis ao resistir à prisão.
Além de Joneuma, outras 17 pessoas foram denunciadas pelo MP-BA, incluindo Wellington Oliveira Sousa, ex-coordenador de segurança da unidade e pessoa de confiança da então diretora. Ambos estão atualmente presos.
Joneuma permaneceu à frente da gestão do presídio por nove meses, sendo a primeira mulher a ocupar o cargo no estado. Apesar da representatividade, as investigações revelaram que, durante sua gestão, o presídio esteve sob influência do crime organizado.
De acordo com o processo, desde que assumiu o cargo, em março de 2024, a diretora passou a ser monitorada pelas autoridades devido aos privilégios concedidos a determinados internos. Conforme consta nos autos, ela permitiu, de forma irregular, a entrada de itens como roupas, ventiladores, freezers e sanduicheiras.
O ex-coordenador de segurança, Wellington, foi um dos responsáveis por denunciar as irregularidades. Em depoimento, afirmou que Joneuma atendia a diversas exigências feitas por Ednaldo Pereira de Souza, conhecido como “Dadá”, um dos fugitivos da unidade.
Dadá, apontado pela polícia como líder de uma facção criminosa em Eunápolis com vínculos a um grupo do Rio de Janeiro, estava preso até o dia 12 de dezembro, quando ocorreu a evasão em massa.
Entre os privilégios concedidos, Wellington relatou que a esposa de Dadá passou a entrar no presídio sem passar por qualquer tipo de revista, mediante autorização direta da diretora.
Outros depoimentos sugerem ainda que Joneuma e Dadá mantinham um relacionamento íntimo, com encontros sexuais ocorrendo dentro do presídio.
Embora Wellington não tenha mencionado diretamente a relação sexual, ele afirmou que os dois se reuniam frequentemente, sempre sozinhos, na sala de videoconferência, com uma folha de papel ofício cobrindo a parte envidraçada da porta para impedir a visualização externa.
Ele acrescentou que “as reuniões eram sigilosas e causavam estranhamento entre os funcionários, tanto pela frequência quanto pela longa duração”.
Em abril deste ano, Joneuma Silva Neres protocolou um pedido judicial de auxílio financeiro para cobrir gastos com a gravidez contra o ex-deputado federal Uldurico Alencar Pinto. Ela alega que ele seria o pai da criança.
Informações do processo apontam que Uldurico foi visto muitas vezes visitando os presos em Eunápolis. Um policial penal, que não teve o nome divulgado, disse em depoimento “ter conhecimento de que políticos ingressaram no conjunto penal, sem revista, inspeção ou cadastro prévio de visitantes”, e citou o ex-deputado.


