Dezessete anos depois de um crime que abalou Porto Seguro e expôs feridas profundas na relação entre poder, violência e luta sindical, a Justiça condenou dois policiais militares pelas mortes dos professores Elisney Pereira dos Santos e Álvaro Henrique Santos.
O julgamento ocorreu na última terça-feira (5), no Fórum Ruy Barbosa, em Itabuna. Os ex-PMs Sandoval Barbosa dos Santos e Joilson Rodrigues Barbosa receberam pena de 38 anos de prisão. A defesa dos condenados nega participação no crime.
As investigações apontam que, em setembro de 2009, os professores foram atraídos para um sítio pertencente à família e executados a tiros. Elisney morreu no local. Álvaro ainda foi transferido para Salvador, mas não resistiu aos ferimentos.
À época, Álvaro Henrique liderava mobilizações em defesa de reivindicações da categoria docente em Porto Seguro, circunstância que deu forte repercussão política ao caso.
Os policiais faziam segurança do prefeito na época, e foram indiciados como participes do crime. O motorista do ex-secretário foi apontado como um dos executores e, juntamente com outro comparsa, foi assassinado como queima de arquivo meses depois. Além desses dois casos, outra pessoa, sondada para participar dos assassinatos, foi alvejada com 12 tiros, sobreviveu e passou a ser testemunha.
O então secretário municipal de Comunicação, Edésio Lima, chegou a ser preso sob suspeita de ser o mandante do duplo homicídio. No entanto, ele não será levado a julgamento porque o processo prescreveu.
Em nota, a defesa de Edésio afirmou que ele é inocente e classificou a acusação como uma “farsa processual criada para conter a pressão da opinião pública”.


