Segundo a delação, a fuga teria sido negociada por R$ 2 milhões com integrantes da facção Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), com pagamento previsto para o dia 31 de dezembro de 2024, na cidade de Porto Seguro. No entanto, antes da execução, houve um adiantamento de R$ 200 mil.

Joneuma relatou que:

No dia 4 de novembro de 2024, recebeu R$ 200 mil em espécie, dentro de uma caixa de sapato, ao comparecer sozinha a uma residência no bairro Juca Rosa, em Eunápolis. O imóvel, segundo ela, possuía um adesivo com o nome “CLEY” no muro. O valor teria sido entregue por um homem de confiança do líder da facção;

No dia 5 de novembro de 2024, entrou em contato com Uldurico Alves Pinto, pai do ex-deputado federal Uldurico Júnior, para acertar a entrega do dinheiro;

Ainda no mesmo dia, realizou a entrega na residência da família, em Teixeira de Freitas. De acordo com o depoimento, estavam presentes no local: o pai do ex-deputado, a madrasta, uma funcionária doméstica e um assessor da família;

O assessor teria conferido o dinheiro no momento da entrega, e, conforme a delação, Uldurico Alves Pinto permaneceu com R$ 150 mil do montante;

O restante do valor foi distribuído posteriormente por meio de operações bancárias: R$ 21.600 depositados diretamente na conta de Uldurico Júnior e R$ 24 mil transferidos via PIX para um terceiro.
A ex-diretora também afirmou que, após esse adiantamento, passou a intermediar diretamente a comunicação entre o ex-deputado e lideranças da facção criminosa, com o objetivo de viabilizar o restante do pagamento.

Segundo o relato, o ex-deputado ainda teria solicitado um novo adiantamento de R$ 100 mil, que não foi aceito pelos detentos, que condicionaram qualquer novo pagamento à concretização da fuga.
Joneuma declarou ainda que tinha conhecimento prévio do plano, incluindo a existência de ferramentas utilizadas para perfurar a estrutura da cela, e admitiu que não adotou medidas para impedir a ação. Também relatou que tentou acobertar movimentações suspeitas dentro da unidade.

A delação aponta que o plano inicial previa a fuga no dia 31 de dezembro, mas a ação foi antecipada para 12 de dezembro de 2024 após a informação de que haveria fiscalização no presídio e possível transferência de um dos líderes da facção.

A ex-diretora afirmou que não recebeu valores para participar do esquema.
A defesa de Uldurico Júnior nega integralmente as acusações e sustenta que as declarações apresentadas na delação são falsas.

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