Doze pessoas foram detidas, entre elas quatro adolescentes, suspeitas de envolvimento no ataque que deixou duas turistas do Rio Grande do Sul baleadas no município de Prado, no extremo sul da Bahia, nesta terça-feira (24). A informação foi confirmada pela Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA).
Além da participação no atentado contra as visitantes, os suspeitos também são investigados por envolvimento nos recentes conflitos fundiários entre indígenas e fazendeiros na região. Todos foram encaminhados para a delegacia de Porto Seguro, onde permanecem à disposição da Justiça.
De acordo com a SSP-BA, o grupo foi autuado em flagrante pelos crimes de tentativa de homicídio, associação criminosa, porte ilegal de arma de fogo e corrupção de menores.
Durante a operação, cinco armas de fogo, munições e aparelhos celulares foram apreendidos. Parte do armamento estava enterrada em uma área de mata fechada, próxima ao local onde as turistas foram atingidas.
O ataque:
As vítimas foram identificadas como Josiane Clélia Moro, de 55 anos, e Denise Cristina Sperafico Moro, de 57. Elas trafegavam por uma estrada vicinal quando passaram por um bloqueio montado por indígenas que participam de um movimento de “retomada do território”.
O carro em que estavam foi atingido por disparos de arma de fogo. A estrada fica dentro do território indígena de Comexatibá, área com pouco mais de 28 mil hectares que tem sido palco de intensos conflitos entre indígenas e produtores rurais.
Escalada da tensão:
Desde o início do mês, a região vive um aumento significativo da tensão após ações de retomada de terras por grupos indígenas, impulsionadas por uma portaria do Ministério da Justiça que reconheceu oficialmente o território indígena.
A medida provocou reação de produtores rurais, com registros de protestos e bloqueios de estradas, agravando ainda mais o cenário de instabilidade no extremo sul baiano.
A polícia segue investigando o caso para esclarecer as circunstâncias do ataque e a participação individual de cada suspeito.




