PORTO SEGURO LIDERA CRESCIMENTO DO TRANSPORTE AÉREO NO NORDESTE, MAS INFRAESTRUTURA DO AEROPORTO SEGUE SEM INVESTIMENTO

O Nordeste se consolidou como a região do país que mais cresceu no transporte aéreo doméstico na última década. Em 2025, mais de 39 milhões de passageiros circularam pelos aeroportos nordestinos, número 11,2% superior ao registrado em 2015, o que representa cerca de 4 milhões de viajantes a mais, segundo levantamento do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), com base em dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Dentro desse cenário de expansão, Porto Seguro (BA) se destaca como o aeroporto com maior crescimento proporcional da região entre os terminais que movimentam mais de 1 milhão de passageiros por ano. Em dez anos, o fluxo de passageiros aumentou 73%, impulsionado principalmente pelo turismo, que segue como um dos principais motores da economia local.

O crescimento também reflete a ampliação da conectividade aérea no Nordeste. No período, o número de aeroportos atendidos passou de 26 para 41, fortalecendo a malha regional e facilitando o acesso a destinos turísticos estratégicos, como Porto Seguro, um dos principais polos do turismo nacional.

Para o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, a melhora da infraestrutura aeroportuária e o desempenho da economia ajudam a explicar o avanço do setor.
“Onde há um aeroporto, há potencial para desenvolvimento socioeconômico, estímulo a novos negócios e ao turismo”, afirmou. O ministro também destacou o programa AmpliAR, lançado pelo MPor, que prevê a inclusão de novos aeroportos regionais no modelo de concessões.

Crescimento nos números, precariedade na estrutura

Apesar dos indicadores positivos, a realidade enfrentada por moradores e passageiros em Porto Seguro revela um contraste preocupante. Quem utiliza o Aeroporto Internacional de Porto Seguro relata que, à exceção da pista de pouso, não houve investimentos significativos em infraestrutura ao longo dos últimos anos.

Mesmo sendo um aeroporto internacional, o terminal não dispõe de ar-condicionado, apresenta espaços limitados para acomodação dos passageiros e sofre com alagamentos em períodos de chuva, comprometendo o conforto e a segurança dos usuários. As queixas são recorrentes e contrastam com o crescimento expressivo do fluxo de turistas e moradores que dependem do equipamento.

Ainda assim, o contrato com a empresa administradora do aeroporto foi renovado, o que reacende o debate sobre a necessidade de contrapartidas mais efetivas, especialmente em um município cuja economia é fortemente sustentada pelo turismo.

O caso de Porto Seguro evidencia que, embora os números apontem crescimento e potencial de desenvolvimento, a falta de investimentos estruturais adequados pode limitar a experiência do passageiro e o próprio avanço do destino turístico, reforçando a cobrança por melhorias compatíveis com a importância estratégica da cidade no cenário nacional.

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